sexta-feira, 5 de junho de 2009

O Delazari fez tudo errado. Tudo errado.

Leia na íntegra a entrevista do deputado estadual Stephanes Junior para o Jornal Impacto Paraná, publicado na edição n° 693, desta sexta-feira - 05 de junho.

Mais um atrito envolvendo o secretário de Segurança Pública do Paraná, desta vez envolvendo um correligionário, o deputado estadual Stephanes Junior, filho do Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, com quem até o governador Requião já trocou “gentilezas” pela imprensa. A iniciativa do secretário em mandar a polícia ir até a casa dos motoristas para apreender carteiras nas casas dos motoristas que estiverem com o direito de dirigir suspenso, está causando um rebuliço. Por conta desta iniciativa, Delazari mandou que a polícia fizesse uma visitinha ao vereador Denilson Pires, do Democratas, e com quem o candidato do PMDB à prefeitura de Curitiba, Carlos Moreira Junior, comeu o pão que o dito cujo amassou. Sábado à noite, a polícia chegou com uma equipe de reportagem da TV Globo no portão da casa do vereador, no Sítio Cercado (aliás, que papelzinho feio esse da RPC, atendendo um claro interesse pessoal e político do governador para ferir um adversário).
Stephanes, mesmo sendo do PMDB, não recuou e foi à tribuna da Assembléia, devolver o petardo ao governador e ao Secretário de Segurança Pública, que a cada dia que passa, a cada tentativa de se mostrar, acaba caindo no descrédito e aumenta o passivo judicial para os contribuintes pagarem num futuro não muito distante.
O Impacto procurou o parlamentar para uma entrevista. Stephanes já foi vereador, secretário de Estado, tem um currículo acadêmico invejável e mostrou que não está para brincadeiras quando o assunto é o abuso de poder.
Ele repetiu ao microfone do Impacto tudo o que disse na tribuna e disse muito mais na entrevista exclusiva ao jornal, acompanhe a entrevista:

Impacto: Temos aí uma polêmica instalada por conta da iniciativa do governo do Estado em proceder a busca e apreensão de carteiras que estão suspensas e o sr. denunciou que o governo estaria utilizando isto para fustigar inimigos políticos, o sr. poderia explicar melhor isso?
Stephanes Jr.: Claro. Achei muito interessante do secretário de Segurança ter dito que iria fazer busca e apreensão das carteiras suspensas. Achei a retórica interessante porque faz com que as pessoas se mexam, devolvam a carteira, façam o curso de reciclagem e voltem a dirigir habilitados. Achei ótimo. Mas na hora em que ele faz isso ele fere a lei. Ninguém pode fazer a busca e apreensão na casa de ninguém sem ordem judicial. Nem que você saiba que há droga na casa de uma pessoa, você pode fazer. Você precisa da ordem do juiz, precisa pedir autorização do juiz. Se para isso precisa de determinação judicial, quanto mais para buscar e apreender a carteira de habilitação de alguém. Até porque se a pessoa tiver a carteira suspensa e não quiser mais dirigir, ela não dirige. Não precisa ir no Detran devolver a carteira, ela simplesmente não dirige mais. Contrata um motorista, anda de ônibus. Além dele ter ferido a lei, mandando que se fosse feita a busca e apreensão de carteira, ele usou isso para perseguir um adversário político. O vereador Denílson Pires é do Democratas e durante a eleição municipal fez diversas críticas ao candidato do PMDB à prefeitura e ao governador. Quando um juiz defere uma liminar, ela só pode ser cumprida das 06:00 às 18:00, isso é lei. Bem, a polícia bateu na porta da casa do vereador no sábado à noite, eram 8 horas da noite, lá no Sítio Cercado, onde mora o vereador. Ele estava com a perna quebrada, estava jantando junto com a cunhada, um filho de 10 anos, a esposa, uma outra filha de 6 anos e uma neta de 2 anos. E, mais um crime, levou a Rede Globo junto para filmar. Chegando lá, entraram na casa do vereador e pediram a carteira de habilitação dele. Ele falou que não estava com a carteira. E não estava mesmo. Disse que deixou o documento no carro e que o motorista tinha levado junto. Nisso, os policiais acharam que ele estava brincando e deram voz de prisão na frente das câmeras da TV Globo. “O sr. então está preso por desacato à autoridade. O sr. está brincando comigo”. Ao darem voz de prisão, as crianças começaram a chorar, a mulher ficou desesperada. Esperaram duas horas, até o motorista trazer a carteira de volta. Durante duas horas, ficaram duas viaturas da Polícia Militar na frente da casa do vereador, num sábado à noite que é quando mais acontecem assaltos, seqüestros relâmpagos e outros delitos. Como se não tivessem coisas mais sérias para serem atendidas para perseguir um adversário. Ele utilizou a lei, numa atitude que já é errada, para perseguir um adversário político. O Delazari fez tudo errado. Tudo errado. Esta atitude vai gerar uma indenização porque com certeza o Denílson vai ingressar com ação na justiça e vai ter que ter um ressarcimento. É um passivo para ser pagos pelo próximo governo. Não é nem a pessoa física do Delazari que vai pagar. É o governo, na realidade todos nós, na forma de impostos, que vamos pagar por isso.

Impacto: O sr. tem adotado um postura de certa independência em relação às iniciativas do governo, mesmo sendo do PMDB. Como isso acontece?
Stephanes Jr: Eu acho muito triste eu ter que apontar os defeitos do governo. Colocar o dedo na ferida. O pingo no “i”. Não posso ficar omisso. Muitos no partido não gostam disso, mas não fui eleito para ser vaquinha de presépio. Estou representando milhares de eleitores que esperam de mim uma postura correta. Não posso ficar levantando e sentando, quando o governo manda. Não sou capacho de ninguém. Quando temos no plenário assuntos de interesse do governo, é claro que vamos votar com boa vontade, vamos ajudar. Mas nem tudo que o governo manda eu acho correto. Eu não concordo quando o governo quer estatizar, defende invasão de terra, não coloca a força policial para fazer cumprir mandato judicial, adotando idéias do marxismo, que não deram certo em lugar nenhum. Eu acabo me manifestando. Seria melhor eu ficar quieto, ficaria muito bem. Se você, ideologicamente, não estiver de acordo, mas for um bom capacho, tá tudo bem. Eu não consigo estar ideologicamente de acordo, nem ser um bom capacho. Volta e meia eu tenho encrencas. Gostaria de ser tratado com respeito, como um aliado. Capacho nunca vou ser.

Impacto: O sr. é egresso do antigo PFL, hoje Democradas, e está no PMDB. O sr. se sentia melhor e mais confortável no Democratas?
Stephanes Jr: Me sinto confortável no PMDB. O PMDB tem gente que pensa como eu. Não só no Paraná, mas como no Brasil. A grande maioria pensa como eu. Enquanto o Requião for governador eles pretendem ficar quietos. O Marcelo Almeida, o Rafael Greca, Kielse, Mauro Moraes, Rodrigo da Rocha Loures, o próprio Alexandre Curi. A diferença é que eu falo. Na realidade, PMDB e Democratas não tem diferença ideológica. Existe diferença na pessoa do governador Requião que comanda e que coloca algumas pessoas em postos chaves do partido. Assim que ele sair do governo, muda tudo. Hoje nós temos grandes pensadores, grandes nomes no partido, o grande problema do PMDB hoje é a ditadura com a qual ele é conduzido. O partido está suprimindo uma nova geração que está crescendo, que quer mostrar do que é capaz. Tanto que o tempo de televisão do partido não foi dado a ninguém, a não ser ao próprio governador. Hoje, salvo melhor informação, o Pessuti está aparecendo. Não se dá espaço para gente nova, para novas lideranças, infelizmente.

Impacto: O sr. chegou a disputar a indicação do partido para concorrer à prefeitura de Curitiba, mas não conseguiu e o PMDB colocou na disputa um candidato desconhecido. O que aconteceu naquela ocasião, já que o partido teria nomes melhores para colocar na disputa, entre eles o do ex-prefeito Rafael Greca e até o seu próprio?
Stephanes Jr: O partido tinha bons nomes para disputar a prefeitura de Curitiba e tenho certeza de que teriam ido muito melhor do que o candidato Carlos Moreira. Eu diria que havia três jovens: Marcelo Almeida, Rodrigo Rocha Loures e eu. Todos com vontade de trabalhar, com experiência administrativa e representando um PMDB diferente. Havia o Rafael Greca, com uma grande experiência, com uma bagagem cultural muito grande. Ele seria uma grande opção para o partido. Mas o PMDB de Curitiba optou pelo Carlos Moreira, que em minha opinião mostrou ser o mais fraco dos candidatos, o mais despreparado, principalmente nos debates. A única qualidade que ele tinha naquele momento era estar agarrado no governador. A eleição, para o PMDB, foi um fiasco. Não chegou nem a 2% dos votos. Todos diziam que seria um fiasco, que seria uma vergonha.

Impacto: Como o deputado está acompanhando a movimentação de candidatos ao governo do Estado. Alvaro Dias, Osmar Dias, Orlando Pessuti, Beto Richa, Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, quem tem chance de emplacar o governo em 2010?
Stephanes Jr.: Bem, o PT já era no Paraná. Não tem a menor chance. O mensalão e a invasão de terra são dois estigmas que vão acompanhar o partido. Sempre estará fadado ao fracasso no Paraná. Acho que o Osmar Dias, se fosse governador, seria um bom governador. Ele é sério, equilibrado, bem preparado, entende da vocação do estado. O Pessuti é uma pessoa bem quista, é vice-governador há sete anos, já foi deputado, é experiente, portanto, e vai tentar se viabilizar como candidato ao governo, vai assumir o governo no ano que vem. O Beto Richa é um jovem, grande prefeito, tem crescido muito. O Alvaro Dias faz um grande trabalho no Senado, está sendo muito útil ao país com a sua postura. É uma grande opção. Porém dentre todos estes, pelo que vem acontecendo e pelo que eu venho acompanhando, o Beto Richa deve despontar como o grande nome da eleição, juntamente como Pessuti.

Impacto: Por falar em Pessuti, como o deputado avalia o trabalho do vice-governador para obter a indicação de Curitiba para ser uma das sub-sedes da Copa do Mundo?
Stephanes Jr: Ele fez um trabalho fantástico e que deve ser reconhecido. Ele e o Beto (Richa) fizeram um grande trabalho. O Pessuti fez corpo a corpo, contatou pessoas importantes da FIFA e entrou no time para ganhar a copa para Curitiba. Quero parabenizá-lo, assim como rendo as minhas homenagens a toda a equipe da prefeitura.

Impacto: Seu pai, Reinhold Stephanes, é ministro da Agricultura e foi bastante criticado, chegou a trocar farpas pela imprensa com o governador Requião. Quando o assunto chega em casa, como ele é encarado?
Stephanes Jr.: Ele sempre me pediu para não me envolver nos assuntos políticos dele. Ele sempre diz que eu tenho problemas demais para ficar tomando as dores dele. Mas eu não consigo ficar de fora e eu sempre digo pra ele que ele está certo. Por conta desta passagem dele no Ministério eu acabei me interessando por Agricultura e me especializando um pouco. Hoje, se eu quiser debater Código Florestal, sei tudo. Sei qual a proposta do Ministério da Agricultura, sei qual a proposta do Ministério do Meio Ambiente, sei a proposta do Incra. Sou ambientalista. Sou alguém que quer ver pássaros nas cidades, mas o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul tem uma situação bem peculiar, não podem ter um Código Florestal tão rígido. Os agricultores tem que ter compensações por preservar o meio ambiente. Os estados do Sul são cheios de pequenos produtores, não são latifundiários. Tem que fazer a lei de forma que eles possam sobreviver. Hoje, proibir que se produza na várzea, vai inviabilizar a maioria das propriedades rurais. Eu exemplifico com a colônia Witmarsun e com os produtores de leite de Castro. Estas produções seriam extintas. Estão tentando proibir que se plante nas encostas dos morros. Na Alemanha, na região do Reno, as videiras são plantadas nas encostas, assim como o café em Minas Gerais e região dos vinhos no Rio Grande do Sul. As vinícolas do Rio Grande do Sul têm 200 anos e o café em Minas Gerais tem 400 anos. As coisas têm que ser feitas com muito cuidado.

Impacto: Como está a Assembléia?
Stephanes Jr.: Bem, depois do furação, parece que está mais calma. A discussão hoje é sobre quem vai assumir a vaga do ex-deputado Fernando Carli Filho. Tudo indica que deve ser o Mario Roque. Esta situação toda foi muito triste para as famílias que perderam seus filhos. Sou muito amigo da família Yared, estive no sepultamento do Gilmar Yared. Tenho o Carli Filho como uma pessoa boa e acredito que ele esteja com a consciência pesada com tudo o que aconteceu. Foi uma tragédia. Eu lamento que se tenha tentado comparar todos os deputados, como se todos bebessem antes de dirigir.

Impacto:
E o seu projeto político?
Stephanes Jr.: Eu sonho em ser prefeito de Curitiba e governador do Paraná. Hoje não tenho cacife para disputar uma eleição ao Senado. Devo disputar a reeleição.


Fonte: Jornal Impacto Paraná -
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